Aposentadoria por invalidez 60%: STF confirma regra do INSS após a Reforma

Muitas pessoas se surpreendem ao receber a aposentadoria por invalidez — hoje chamada de aposentadoria por incapacidade permanente — com um valor muito menor do que imaginavam.

Por isso, a dúvida quase sempre é a mesma: “O INSS errou no cálculo?”

Na maioria dos casos, a resposta é não.

Na verdade, o que existe é uma mudança profunda na forma de cálculo do benefício, trazida pela Reforma da Previdência e confirmada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal.

Neste artigo, você vai entender, de forma clara e objetiva:

  • o que é a aposentadoria por incapacidade permanente;
  • como funcionava o cálculo antes da Reforma;
  • o que mudou a partir de 2019;
  • qual foi o conflito levado ao STF;
  • o que o STF decidiu no Tema 1300;
  • e, principalmente, qual é o impacto prático dessa regra na vida de quem depende do INSS.

O que é a aposentadoria por incapacidade permanente?

A aposentadoria por incapacidade permanente é o benefício concedido pelo INSS ao segurado que perdeu de forma definitiva a capacidade de trabalhar, em razão de doença ou acidente, sem possibilidade de reabilitação para outra atividade.

Para que o benefício seja concedido, o INSS exige:

  • qualidade de segurado;
  • cumprimento da carência, quando exigida;
  • perícia médica, que reconheça o caráter permanente da incapacidade.

Portanto, esse benefício continua existindo e não foi extinto pela Reforma da Previdência.

O que mudou, contudo, foi a forma de calcular o valor pago mensalmente.

Como era o cálculo da aposentadoria por invalidez antes da Reforma?

Antes da Reforma da Previdência, a lógica de cálculo da aposentadoria por invalidez era mais protetiva.

De forma simplificada, o benefício era calculado com base em 100% da média das contribuições, observadas as regras vigentes à época.

Isso não significava que todos receberiam valores elevados, mas havia, sim, uma noção clara de integralidade do benefício.

Nesse contexto, a lógica fazia sentido dentro da ideia de proteção social.

Afinal, quem perde definitivamente a capacidade de trabalhar passa a depender quase exclusivamente do benefício para sobreviver.

O que mudou com a Reforma da Previdência?

A Reforma da Previdência, aprovada em 2019, alterou profundamente o sistema de cálculo de diversos benefícios do INSS — inclusive a aposentadoria por incapacidade permanente.

A partir da Reforma, o INSS passou a aplicar, em muitos casos, a seguinte regra:

  • o benefício é calculado com base em 60% da média das contribuições;
  • com acréscimos apenas em hipóteses específicas previstas em lei.

Com isso, a aposentadoria por incapacidade deixou de ser automaticamente integral.

⚠️ É importante destacar que essa redução não ocorre porque o segurado contribuiu pouco.

Ao contrário, mesmo pessoas com longos anos de contribuição podem ter o benefício limitado a 60%, simplesmente porque a regra legal mudou.

Por que duas pessoas igualmente incapazes recebem valores diferentes?

Um dos pontos que mais geram indignação é a comparação entre benefícios.

Duas pessoas com incapacidade semelhante, mesma profissão e histórico contributivo parecido podem receber valores muito diferentes.

Isso acontece, sobretudo, por causa de um fator decisivo: a data em que a incapacidade foi reconhecida pelo INSS.

  • Quem teve a incapacidade constatada antes da Reforma pode estar submetido a uma regra de cálculo anterior, mais favorável.
  • Já quem se tornou incapaz depois da Reforma, em regra, entra no modelo de cálculo limitado a 60%.

Ou seja, a incapacidade é a mesma.

As despesas são as mesmas.

Entretanto, a legislação aplicada é diferente.

O conflito jurídico: essa regra é constitucional?

Diante do impacto social dessa mudança, a forma de cálculo da aposentadoria por incapacidade permanente passou a ser amplamente questionada na Justiça.

O principal argumento era que a regra dos 60% afetava pessoas em situação de extrema vulnerabilidade e violava o caráter protetivo da Previdência Social.

Por isso, essa discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Tema 1300 de repercussão geral.

O que o STF decidiu no Tema 1300?

No julgamento do Tema 1300, o STF fixou a seguinte tese:

“É constitucional o pagamento do benefício de aposentadoria por incapacidade permanente nos termos fixados pelo art. 26, §2º, III, da Emenda Constitucional nº 103/2019, para os casos em que a incapacidade para o trabalho seja constatada posteriormente à Reforma da Previdência.”

O relator foi o ministro Luís Roberto Barroso, e o redator do acórdão será o ministro Cristiano Zanin.

Na prática, isso significa que:

  • o STF considerou constitucional a regra de cálculo dos 60%;
  • a discussão jurídica foi encerrada no âmbito do Supremo;
  • e a regra permanece válida para os casos posteriores à Reforma.

Constitucional é o mesmo que justo?

Nem sempre.

O STF analisou a compatibilidade da regra com a Constituição, e não o impacto financeiro, social e humano que ela gera na vida de quem depende do benefício.

Na prática, o impacto é real.

Receber apenas 60% da média pode significar:

  • centenas de reais a menos por mês;
  • milhares de reais a menos ao longo do ano;
  • e uma perda significativa do poder de compra justamente em um momento de maior necessidade.

Por isso, a indignação de muitos segurados é legítima.

A incapacidade não reduz despesas, não reduz tratamentos e não reduz a necessidade de proteção.

O que é importante entender, na prática?

A aposentadoria por incapacidade permanente continua existindo.

O direito permanece.

No entanto, após a Reforma, ele passou a seguir regras mais técnicas e menos protetivas do que antes.

Dessa forma, compreender essas regras ajuda a:

  • entender o valor recebido;
  • evitar conclusões equivocadas;
  • e, principalmente, perceber que o problema está na mudança estrutural do sistema, e não no segurado.

Conclusão

Em resumo, a aposentadoria por invalidez não é mais automaticamente integral.

A regra dos 60% é resultado da Reforma da Previdência e foi considerada constitucional pelo STF.

Isso não torna o impacto menor, nem elimina a sensação de injustiça.

Ainda assim, informação correta é essencial para lidar com o INSS de forma mais consciente e menos frustrante.

Além disso, se você quiser entender melhor como funciona a aposentadoria por invalidez e quando é possível revisar ou analisar o cálculo do benefício, explico com mais detalhes nesta página:

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